I
Outrora deus
Hoje humano
Inundado por sentimentos,
Repleto de sonhos e esperança
Mas também aflito em dor
Afogado em sofrimento
Vivo com a certeza que um dia morrerei
Mas acredito que morri dias atrás
Quando perdi a única coisa que significava algo para mim
II
Não há como expressar meus sentimentos
Parece que minha dor é multiplicada
E minha angustia é pior que a eterna solidão
Sofro por me render a humanidade
Choro por sentir o desprezo de ser um mortal
Alguém que dominava sobre o universo
Agora se encontra vertido em lagrimas
Lagrimas por deixar de ser um deus
Para apenas ter um coração
III
A humanidade cria laços afetivos
Afeiçoam-se por aqueles que consideram irmãos
Se prendem aqueles chamados familiares
Ser humano é estar sempre acompanhado
É estar preso a vidas por laços sentimentais
Mas o final de tudo é sofrimento
O rompimento desses laços causa dor
Escrevem seu próprio final infeliz
E sucumbem em meio a angustia de seu viver
IV
Depois de todo esse tempo
Caminhando entre os mortais
Após me tornar um mortal
Ter sentimentos humanos
O que mais me aflige é a dor
A angustia de viver a espera da morte
Humanos se apegam a coisas sem valor
O amor é uma delas
Eu amei, talvez ainda ame
Mas desde que este sentimento tomou conta de mim
Estou me afogando num oceano de sofrimento
V
Achei que se deixasse de ser um deus
Me seria permitido amar
Me enganei
Deixei minha imortalidade
Por absolutamente nada
Isso me faz sofrer
Mas o vazio de um amor não correspondido
É a pior das dores
Uma eternidade solitária não se compara
Ao sofrimento causado pelo amor
Já não sei mais o que fazer
Só me resta chorar amargamente
A angustia que herdei
Escrito em Janeiro e fevereiro de 2011