terça-feira, 27 de março de 2012

Labirinto


Então meu coração palpita em sensações que não consigo descrever
Sinto falta das palavras que se foram deixando o silencio contido
Desaprendi a habilidade de me comunicar, de me expressar

Estas sensações estranhas que jamais serei capaz de compreender
Me deixam a duvida se um dia voltarei a ser compreendido
Eu busco em meu interior mas não há nada para achar

Quero tanta coisa, mas hoje só queria dizer o que sinto
São lembranças, sentimentos, duvidas a me confundir
São como grilhões ou paredes sombrias a me cingir
Me impedindo de achar o caminho para fora desse labirinto

Labirinto de palavras feridas
Labirinto de dores esquecidas
Labirinto que me cala e me isola do mundo

segunda-feira, 5 de março de 2012

Da fé ao ateísmo - Parte 1


“Se deus não te dá o que você quer, é porque você não precisa disso.”
“Deus não muda as circunstancias, pois quer mudar você.”
Enfim, varias frases desse tipo vemos no facebook e em vários lugares por ai. A realidade é que se deus existe mesmo, ele é muito cusão. Parece que ele tem prazer em ver seus ‘servos’ sofrendo, implorando pela misericórdia dele, doentes, abatidos, traídos, desempregados, passando fome, e tantas outras coisas, e as pessoas ainda dão credito para ele. “Deus trabalha de maneira misteriosa.” “Deus está te provando.”
Cara, quanta merda!
Só para constar, eu estou incomparavelmente melhor agora do que quando eu era um ‘servo fiel do Senhor’. Eu era um homem integro segundo a bíblia, orava em media três horas por dia, sempre lia a bíblia, dava o dizimo de tudo o que recebia, ofertava, fazia parte do ministério de intercessão, enfim, era ‘santo’, mas no geral minha vida era uma merda. Por mais que eu procurasse não conseguia emprego, vivia sem dinheiro, parei de pegar as vadias tudo, o povo de casa vivia brigando, fidiputas de gangues queriam me bater, enfim, todo tipo de merda que você pode imaginar acontecia. Então eu fui desanimando até que sai de vez da igreja. Mas até então ainda era inocente e acreditava em contos fantasiosos. Então, entrei na faculdade, bolsista, não paguei nenhum dos vestibulares que prestei e passei em todos, mas como eu sou preguiçoso me atrasei para assinar o livro da UNESP e fazer minha matricula. Arrumei um emprego alguns meses depois e minha vida prosseguiu normalmente, melhorando a cada dia. É certo que na faculdade eu ainda vivia sem dinheiro, mas quem faz faculdade sabe como é a vida de universitário.
Enquanto na faculdade, mantive sempre minhas notas altas, e no tempo livre sempre lia. Me interessei por Nietzsche, e comecei a ler sobre Niilismo. Na verdade, li muito pouco, mas o suficiente para refletir sobre as bases da minha vida. Comecei a ponderar minhas decisões passadas, e a analisar melhor a questão religiosa, primeiramente no cristianismo. Terminei a faculdade ainda em duvida sobre muitas coisas, mas ate então já me era possível ver o quanto o cristianismo é baseado em nada. A biblia fala de um deus contraditório, que ama todo mundo, mas manda para o inferno quem não faz o que ele manda. Podemos ver o quão bondoso ele é apenas nesse ponto. Ainda neste tópico, podemos citar uma analogia muito interessante que vi em The Atheist Experience, um programa de televisão da comunidade ateísta de Austin, nos EUA.  Está é a analogia do mafioso que comanda certa região da cidade. Ele cobra uma certa taxa dos moradores locais e geralmente faz o que bem quiser com eles, mantendo o controle sobre eles através do medo e de ameaças. Então se algum morador se volta contra ele, dizendo que não mais fará o que ele quer ou paga-lo, o mafioso o ameaça de morte. E se o morador vai adiante com sua ‘revolta’, então ele é morto pelo mafioso. Conseguem ver alguma relação com algumas historias fantasiosas que ouviu por ai? Você acha que o mafioso é assassino ou morador morreu por livre e espontânea vontade, usando seu livre arbítrio?
Deixarei vocês refletirem sobre isso até a continuação da minha historia. 

Aceitação


Definitivamente mudanças houveram
Há pedaços de mim que não consegui encontrar
Feridas que carregarei ate a minha morte
E um vazio que nada pode o preencher
Meu caminhar hoje é lento, temeroso
Inseguro a cada passo que arrisco
Como posso viver assim?

Por vezes tentei outros caminhos
Andei em todas as direções que me era possível
E ainda procuro por aquilo que me falta
Mas meus dias estão terminando
Já não tenho mais o vigor de outrora
Nem coragem para continuar a busca

Não há mais para onde ir
Não há mais pelo que esperar
Só me resta aceitar